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quinta-feira, 31 de maio de 2012

EDMARCIUS CARVALHO PARTICIPARÁ DO II CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO NO BRASIL




A segunda edição do CIDEB - Congresso Internacional de Educação no Brasil - acontecerá nos dias 25 a 27 de junho de 2012 na cidade de Porto Seguro - Bahia.

Com tema "Educação e Tecnologia: Novos Desafios para um Novo Educador", o evento irá reunir em três dias de programação, 45 atividades acadêmicas, 50 palestrantes renomados nacionalmente e internacionalmente, além de 07 apresentações culturais.

O evento é realizado pelo Grupo Náutico em parceira com o Governo Federal, Universidade do Estado da Bahia – UNEB, com apoio do Governo do Estado da Bahia, Prefeitura de Porto Seguro, CDL, Petrobrás, Record News, Veracel, Nova Schin e editoras didáticas do país, com a WAK Editora.

Para mais informações sobre como participar desse mega evento educacional, acesse o site do CIDEB 2012.


A palestra a ser proferida por Edmarcius Carvalho Novaes, no dia 26 de junho de 2012, terá como tema "A Pessoa Surda e a EAD: novas perspectivas de acessibilidades", onde serão discutidas as adaptações necessárias para o processo de inclusão educacional de pessoas surdas na modalidade de educação à distância.

Edmarcius Carvalho Novaes é Bacharel em Direito e Graduando em Filosofia, Pós Graduado em Docência para o Ensino Superior, Direito Público, Educação e Inclusão: Língua Brasileira de Sinais, MBA em Administração Pública e Gestão de Cidades, além de ser especialista em Tradução e Interpretação de Libras. Atual como Gerente da CAAD - Coordenadoria de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Governador Valadares / MG, Professor do Ensino Superior em Instituições Pública e Privada, além de palestrante em congressos nacionais e internacionais e o autor do livro "Surdos: Educação, Direito e Cidadania", pela WAK Editora. Para ter mais informações sobre o livro e adquirir seu exemplar, clique na imagem abaixo.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

OS ESPAÇOS DIGITAIS E A ACESSIBILIDADE À INFORMAÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Estudiosos da área da acessibilidade para pessoas com deficiência comungam do entendimento de ser esta um resultado de um processo dinâmico, associado, sobretudo, ao desenvolvimento tecnológico e da sociedade em geral.

A Lei Federal n° 10.098, de 19 de dezembro de 2000, conceitua acessibilidade como “a possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações e dos sistemas e meios de comunicação por pessoa portadora de deficiência ou mobilidade reduzida”.

Pode-se analisar a acessibilidade a partir do espaço onde esta será desenvolvida: num espaço físico ou num espaço digital.

A acessibilidade arquitetônica e urbanística dos espaços físicos tem, durante as últimas décadas, alcançando resultados positivos, em razão da efetivação das legislações existentes e dos movimentos sociais que, quase sempre via judicial, conseguem com que as administrações públicas realizem tais obras de acessibilidade.

Atualmente, e com o avanço das conquistas, os movimentos pró-acessibilidade caminham para que também ocorram avanços neste outro espaço, o digital.

O espaço digital é distinto do espaço tridimensional (3D). Passa dos arquivos, dos livros, dos filmes, da musica, embora penetre neste.

São propriedades intrínsecas do espaço digital, segundo De Las Heras (2000):

a) densidade: porém não sofre saturação, sempre há possibilidade de aumentar a capacidade de armazenamento de informações.

b) ubiqüidade: a mesma informação está em lugares distintos;

c) deslocação: é possível se deslocar de um espaço para outro, através de um endereço URL.

d) hipertextualidade: há uma nova geometria, sem necessidade de paginas, e com a fixação da atenção no que está escrito pode-se abrir novas conexões.

Numa análise social, Echeverria (2001) propõe o uso do termo “terceiro entorno (E3)”.

Trata-se de um novo espaço-tempo onde os seres humanos se desenvolvem, tanto no sentido individual, como comunitário, lingüístico, por meio das tecnologias de informação e comunicações (TIC). O termo E1 equivaleria para o entorno rural, à sociedade agrícola. O E2 ao entorno urbano, com a sociedade industrial.

O autor trabalha sete tipos de construtoras do E3:

a) o telefone;
b) a televisão – rádiotelevisão;
c) o dinheiro eletrônico;
d) redes telemáticas – internet;
e) tecnologias multimídia – CD-ROM, DVDs;
f) videojogos;
g) tecnologias de realidade virtual.

De Las Heras (2000) salienta que neste espaço-tempo permite-se não apenas a reprodução do que se faz no espaço tridimensional, mas também a criação do “novo”, daquilo que ainda não foi possível se fazer no espaço tridimensional.

Uma das possibilidades de criar o novo é o desenvolvimento da acessibilidade à informação. O maior obstáculo ao acesso à informação é fazer com que os princípios de acessibilidade sejam observados nos espaços digitais, o espaço da informática e das comunicações.

Na Internet, por exemplo, para ser acessível, são necessárias ações no aspecto financeiro e também em seu formato, sua mídia. Países mais avançados no processo de informatização da sociedade têm adequado seus sítios web para que sejam acessíveis.

A W3C – World Wide Web Consortium, Comitê Internacional que atua como gestor de diretivas para internet, com atuação internacional, tem esforçado para que ocorram ações de acessibilidade no espaço digital, recomenda a adoção de dois princípios para a construção de páginas web:

a) apresentação da informação por mais de uma maneira: se for em áudio, que apresente também a versão em texto; se for uma imagem, que seja descrita.

b) produzir conteúdo compreensível e navegável: com um estilo simples, para que dificuldades com o idioma ou com o contexto em que é apresentada, não ocorram.

A existência de web sítios acessíveis está entre as exigências de igualdades de condições, conduzidas pelos movimentos de pessoas com deficiência. A não-observância pode ser considerada uma discriminação feita a uma quantidade imensurável de milhares de usuários, sobretudo se considerada aos usuários de sítios web.

O espaço digital acessível é aquele que torna disponível ao usuário, de forma autônoma, toda a informação que for franqueável (por código de acesso ou liberada para todos os usuários), independentemente de suas limitações físicas, sem que haja prejuízos quanto ao conteúdo da informação, por meio da apresentação da informação de formas múltiplas (seja com redundância ou com sistemas automáticos de transcrição de mídias por meio de ajudas técnicas – sistemas de leitura de tela, de reconhecimento da fala, simuladores de teclados), para que maximizem as habilidades dos usuários com deficiência.

Romañach (2002) conceitua em três níveis os obstáculos para a acessibilidade digital:

a) degrau 1: possibilidade de acionar os terminais de acesso à informação como telefones, computadores, baixas de auto-atendimento bancários, quiosques virtuais, etc.

b) degrau 2: possibilidade de interagir com os elementos da interface humano-máquina como menus de seleção, botões lógicos, sistemas de validação, etc.

c) degrau 3: possibilidade de aceder os conteúdos que são disponibilizados nos terminais, sejam informações financeiras, lúdica, geral, vídeos, imagens, áudios, etc.

A extensão do ser humano, por meios de instrumentos, evidenciada às pessoas com deficiência, se dá por meio de ajudas técnicas.

Segundo a Organização Internacional de Normalização, em sua ISSO 9999, pode-se entender como ajuda técnica “qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema técnico utilizado por uma pessoa com limitações oriundas de deficiência, fabricado especificamente ou disponível no mercado, criado para prevenir, compensar, mitigar ou neutralizar a deficiência, incapacidade ou menus valia dessa pessoa”.

Mazzoni e Torres (2001) categorizam as ajudas técnicas informáticas.

Na educação, encontram sistemas de ajuda para:

a) trabalhar com o computador.
b) aprendizagem: para desenvolvimento da família, aprender e desenvolver línguas de sinais, sobre Braille, fixar condutas esperadas, etc.
c) comunicar por meio do computador: utilizando linguagens verbais ou não-verbais.

No âmbito mais geral, para:

a) sistemas para mobilidade
b) sistemas para controle do entorno: como acender e apagar as luzes, abrir portas, acionar aparelhos domésticos.

Se para algumas pessoas as ajudas técnicas atuam como complemento, para outras, são imprescindíveis, uma vez que é por meio delas que seus intelectos conseguem se expressar e conseguem comunicar com o mundo.

É importante ter sempre em mente que nem tudo que é divulgado na forma digital vai ser recebido pelo usuário, se não foi pensado no aspecto da acessibilidade. A redundância é obtida quando se cuida para que haja um equivalente textual para os conteúdos divulgados por meio de imagens ou sons, ou seja, deve-se combinar o uso do som com o uso do texto e as imagens. Estas, quando usadas, sejam em forma estática ou dinâmica, devem ter um correspondente textual.

Atualmente existem ajudas técnicas que permitem transformar o texto escrito digitalizado em som, e a possibilidade de captar textos falados e transformá-los em texto escrito digitalizado, porém as imagens, sejam estáticas ou em movimento, necessitam de descrição para se obter um equivalente textual para as mesmas.

TORRES (2002) apresenta sugestões de adequações de acessibilidade em bibliotecas para pessoas com limitações com a audição, a visão e motricidade. Diz respeito às ajudas técnicas a serem adquiridas pelas bibliotecas, como requisitos mínimos, que devem ser solicitados aos desenvolvedores dos sistemas de informação e documentação:

a) Adequações de acessibilidade para usuários com limitações associadas à motricidade:

- independência do uso do mouse, como dispositivo apontador;
- independência do uso do teclado, com teclado via software;
- independência do uso simultâneo de varias teclas;
- flexibilidade no tempo de resposta, na interação com o sistema.

b) Adequações de acessibilidade para usuários com limitações associadas à audição:

- materiais audiovisuais devem ser legendados, tanto com legendas em texto como em Libras;
- opções para controle do volume;
- acesso visual à informação sonora;
- serviços para a transcrição em texto de documentos digitais orais.

c) Adequações de acessibilidade para usuários com limitações associadas à visão:

- ampliação da imagem e modificação dos efeitos de contraste na tela;
- independência do uso do mouse como apontador, com um uso maior do teclado;
- uso de software (Dosvox e Virtual Vision) para a leitura de tela, ao qual está associado sintetizador de voz;
- opção para o acesso sonoro à informação;
- opções para o acesso à informação em Braille, seja na forma de texto impresso, seja por intermédio do periférico linha Braille.

Pessoas que dispõem do acesso à Internet e a computadores, quando procuram informações, transitam, sobretudo, em espaços digitais. Caso ofereçam acessibilidade a todos, respeitando capacidades e limitações, estes podem ser um espaço mais socialmente inclusivo. Tal realidade se concretizará, caso faça uso combinado de ajudas técnicas com conteúdos digitais acessíveis.


BIBLIOGRAFIA:

DE LAS HERAS, A R. Las propriedades del espacio digital. In: CONGRESO IBEROLATINOAMERICANO DE INFORMATICA EDUCATIVA ESPECIAL, 2. 2000: Córdoba. Anais... Córdoba : 2000. 1 CD-ROM.

ECHEVERRIA, Javier. Impacto social y lingüístico de las nuevas tecnologias de la información y las comunicaciones. In: TROIS espaces linguistiques face aux défis de la mondialisation. Paris: 2001.

ROMAÑACH, Javier. Sociedad de la informacióm para todos. Disponível em: http://ww.sidar.org/docus/sit.doc. Acesso em: 12 jul 2002.

TORRES, Elisabeth Fátima et al. A acessibilidade à informação no espaço digital. Ci. Inf., Brasília, v. 31. n. 3, p.83-91, set/dez. 2002.


COMO CITAR ESTE ARTIGO:

NOVAES, Edmarcius Carvalho. Os espaços digitais e a acessibilidade à informação para pessoas com deficiência. Disponível em: http://www.edmarciuscarvalho.blogspot.com em 04 de janeiro de 2011.

sábado, 27 de novembro de 2010

REFLEXÕES ACERCA DOS PARADIGMAS DA EDUCAÇÃO


De origem grega “parádeigma”, a palavra PARADIGMA literalmente significa “modelo”. Trata-se de uma representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico, uma realização cientifica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referencia inicial com base de modelo para estudos e pesquisas.

Assim, pode-se entender como um modelo mental que é adotado como sendo verdadeiro e representativo de um fato ou conjunto de acontecimentos, esquecendo-se que o ser humano ao formar seus paradigmas a partir de suas experiências, tende a generalizar as coisas a partir de poucas observações.

Segundo Thomas Kuhn “são paradigmáticas as realizações científicas que geram modelos que, por período mais ou menos longo e de modo mais ou menos explicito, orientam o desenvolvimento posterior das pesquisas exclusivamente na busca da solução para os problemas por ela suscitados”.


PRESSUPOSTOS:

A realidade é uma construção sócio-histórica e cultural tecida pelos conflitos de interesses que movem a sociedade. Assim, o conhecimento é ma leitura histórica e política sobre a realidade em um processo permanente de mudanças.

O saber escolar com seus valores, crenças, hábitos, é fruto da tensão de grupos sociais que constituem a sociedade e do nível de autonomia profissional do professor de didatizar os conhecimentos do senso comum e os conhecimentos científicos. Assim, a ação de educar sempre está a serviço consciente ou inconsciente de projetos societais, por isso entender que a educação é um espaço em disputa constante.

Uma educação escolar que visa emancipação é aquela procura construir a identidade cidadã dos alunos para que seja fortalecida a democracia participativa, cabendo ao professor construir situações didáticas provocadoras de aprendizagens que sejam significativas, que construam a subjetividade cidadã, com currículos contextualizados, integrados e globalizados, fruto de uma autonomia didático-científico do docente.


RELAÇÃO EDUCADOR E EDUCANDO:

É necessário que o educador não tenha o velho medo de errar. Quem tem medo de errar é porque não tem coragem de experimentar uma prática nova, ficando estagnado ao velho paradigma, onde se torna o “senhor dos conteúdos”, eliminando a prática de troca de saberes. É necessário que o educador esteja preparado para dizer “não sei”, tendo uma postura desarmada e aberta. Ele será referencial para o aluno, pois o professor também deve se fascinar pela pesquisa e pelo novo, construindo relações afetivas mais verdadeiras.


ALICERCES PEDAGÓGICOS:

a) Pedagogia do encantamento: construir humanidade e envolvimento profissional.
b) Educabilidade: diversidade de percursos na aprendizagem e na ensinagem.
c) Pesquisa como principio de trabalho.
d) Escola como local de aprendizagens, de multiplicidade cultural, de tensão e aberta a mudanças.
e) Trabalho em equipe como estratégia de construção e de socialização das ações educativas na escola.
f) Realidade social enquanto espaço de pesquisa e de significações dos saberes.
g) Projeto político-pedagógico como elemento que articula a prática pedagógica.
h) Compromisso social com projeto societal filiado.
i) Prática inovadora inventiva, sendo inovadora e comprometida.


A ESCOLA ENCARNADA:

Premissas básicas para uma escola sedutora, aprendizagens significativas e currículos globalizados:

a) organização do tempo e do espaço pedagógico que considere e atenda a diversidade de sujeitos e de aprendizagens.
b) organização e implementação de material e de estratégias de ensinagens que não sejam indiferentes às diferenças.
c) um plano de acompanhamento avaliativo contínuo e sistemático de trabalho pedagógico.
d) referencia para a organização do trabalho pedagógico não é a idade e nem a série, e sim o nível sociocognitivo dos aprendentes (tempo e percurso de aprendizagens e o contexto social).
e) planejamento e plano de ensinagem contextualizados, integradores de saberes e competências.

Palavras chaves: flexível; prática cultural e exercício político; vivência identitária; contextualizado, temporário, conflitivo e precário; currículo enquanto pontos de interseções dos campos dos saberes científicos e do senso comum; integrador; sistemático e caótico; problematizador, dialógico; assimétrico e contraditório.


PARADIGMAS EDUCACIONAIS DE PAULO FREIRE:

A Educação deve-se atentar para os seguintes paradigmas:

a) Valorização da cultura.
b) Homem é um ser histórico e, portanto, inacabado.
c) Educar para a conscientização.
d) Ler a palavra para ler o mundo, compreendendo sua condição de oprimido.
e) Binômio: educador-educando, educando-educador.
f) Relações afetivas, democráticas e ombreadas.
g) Coerência.

Para Paulo Freire, há três momentos claros de aprendizagem:
a) O educando se inteira daquilo que o aluno conhece para trazer a cultura dele para a sala de aula.
b) Exploração de questões relativas ao tema em discussão.
c) Problematização: ações para superar impasses da prática.

São etapas do processo de alfabetização, segundo Paulo Freire:
a) Codificação – circulo da cultura (onde os educandos respondem às questões provocadas pelo coordenador, aprofundando suas leituras do mundo: Quê? Para quê? Como? Por quê? Por quem? Para quem? Contra quê? Contra quem? A favor de quem? A favor de quê?).
b) Decodificação e descodificação.
c) Análise e síntese.
d) Fixação da leitura.
e) Problematização

A epistemologia de Paulo Freire se opõe ao paradigma positivista que entende o conhecimento como neutro, livre de valor e objetivos. Paulo Freire entende que o conhecimento e continuamente criado e recriado, assim como as pessoas refletem e agem no mundo. O conhecimento não é fixo e sim um processo dinâmico, produzido coletivamente, buscando dar sentido ao mundo. Não existe separado do como e porquê é usado, no interesse de quem.

Para Freire o conhecimento propõe-se a fazer com que as pessoas se humanizem, superando a desumanização através da resolução da contradição fundamental da nossa época: aquela entre a dominação e a libertação, conhecida como a teoria da relação entre o oprimido e o opressor. A liberdade se dá por meio do diálogo crítico, libertador que leva a reflexão e ação.


FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA EM PESQUISAS, PROJETOS DE EXTENSÃO E FORMAÇÃO:

Ocorre a partir do respeito à identidade cultural do outro.

Paulo Freire:

“A minha convicção é a de que a gente têm de partir mesmo da compreensão de como o ser humano com quem a gente trabalha compreende. Não posso chegar a área indígena e pretender que os indígenas que estão lá compreendam o mundo como eu o compreendo, com a experiência que tenho, não dá. Perguntaram-me qual era minha experiência acadêmica, de ajuda, de compreender a compreensão dele. Não vale a minha experiência acadêmica, minha sabedoria ‘pifa’ no momento em que não sou capaz de compreender a sabedoria do outro. (...) Mas respeitar a cultura do outro não significa manter o outro na ignorância sem necessidade, mas fazê-lo superar sua ignorância não significa ultrapassar os sistemas de interesses sociais e econômicos de sua cultura. É como se houvesse gente inteligente no outro planeta, noutro lugar, noutro universo, e viesse aqui, agora, e dissessem a mim que eu devo pensar da forma absolutamente contrária àquilo que penso, pois lá já se pensa diferente. Não posso me submeter a uma coisa dessas.” (2003, p.129,131)


POSSIBILIDADES DE AÇÕES PEDAGÓGICAS EFETIVAS:

a) Colocação de problemas e não apenas resolução de problemas.
b) Análise de situações problema.
c) Explorar a não-neutralidade da Educação.


O VELHO PARADIGMA DA EDUCAÇÃO:

Cabe ao professor lecionar, onde este só lê a matéria do dia. As aulas são expositivas, em que o conteúdo é quase “lido” para os alunos. O aluno é um receptor passivo, que ouve as explicações do professor (que sabe muito mais do que ele) e vai tateando em busca daquilo que acredita que o professor deve desejar que ele aprenda, diga, pense ou escreva.  A sala de aula é um ambiente de escuta e recepção, sem a possibilidade de conversas. A experiência é passada do professor para o aluno, e somente isso. O aluno aprende e estuda por obrigação. Os conteúdos curriculares são fixos, numa estrutura rígida que não prevê brechas nem modificações.

A tecnologia é desvinculada do contexto, sendo uma ameaça de substituição do homem. Os recursos são manipulados pelo professor, que prepara anteriormente o que se pode apresentar ou não. A escola é uma ilha que só comunica-se com as famílias quando necessário e não se abre a comunidade onde se está inserida.


O NOVO PARADIGMA DE EDUCAÇÃO:

O professor é o orientador do estudo. Ele orienta o processo de aprendizagem e, ao invés de pesquisar pelo aluno, ele o estimula a querer saber mais, desperta a curiosidade sobre as questões das diversas disciplinas. O aluno é o agente da aprendizagem, tornando-se um estudioso autônomo, capaz de buscar por si mesmo os conhecimentos, formar seus próprios conceitos e opiniões, responsável pelo próprio conhecimento.

A sala de aula é um ambiente de cooperação e construção em que, embora se conheçam as individualidades, ninguém fica isolado e todos desejam partilhar o conhecimento. Há a troca de experiência entre aluno/aluno e professor/aluno. O aluno aprende e estuda por motivação. Existe prazer na busca dos novos conhecimentos. Aprender é crescer. Os conteúdos curriculares atendem a uma estrutura flexível e aberta, em que cada aluno pode traçar os próprios caminhos.

A tecnologia está dentro do contexto, como meio, instrumento incorporado. O professor a utiliza como estimulo à aprendizagem. É utilizado por professores e alunos. A escola é um espaço aberto e conectado com o mundo. Os alunos têm contato com a comunidade, partilham experiências com colegas de outras escolas, fazem uso da internet.


TECNOLOGIA E OS PRESSUPOSTOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA – EAD:

O aluno é o centro do processo educativo. Possibilita a ampliação da oferta de cursos e ações de democratização, socialização, endereçabilidade e acessibilidade. Desmitifica o senso comum, promove o compromisso com o aluno. Promove a aceitação do desafio tecnológico e de aprendizagem, com a formatação de ambientes de aprendizagem diferenciados.

Possui como pressupostos:
a) construção socioindividual do processo de aprendizagem.
b) formação e qualificação permanente.
c) ênfase no aluno como sujeito real desse processo.

O uso da tecnologia faz com que os espaços de saber não estejam mais centrados na sala de aula presencial. Ensinar e aprender exigem muito mais flexibilidade, espaço temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação.

Segundo Bordenave (1987), “a idéia de que a educação só é possível quando o professor e o aluno acham-se fisicamente no mesmo lugar vem do tempo em que a palavra, o gesto e o desenho eram os únicos meios de comunicação disponíveis”.

A tecnologia, neste contexto, segundo Mata (1995), deve ser entendida “como processo lógico de planejamento, de elaboração de currículos, métodos, procedimentos e meios que conduzam a aprendizagem”.

Andrade (1193) considera como novas tecnologias “todas as técnicas de modo original na solução de problemas, sejam elas invenções ou comportamentos, recentes ou não”.


CONCEPÇÕES DE APRENDIZAGEM:

a) Aprendizagem Tradicional: O conhecimento é um objeto. É algo que pode ser transmitido do professor para o aluno.

b) Aprendizagem Construtivista: É uma construção humana de significados que procura fazer sentido do seu mundo.

c) Aprendizagem Autônoma: O processo de ensino é centrado no aluno. As experiências são aproveitadas como recurso. O professor deve assumir-se como mais um recurso ao aluno. O aluno é considerado como ser autônomo, gestor do seu processo de aprendizagem.


GLOBALIZAÇÃO:

Segundo Giddens (1987) não é apenas um fenômeno econômico. É um sistema de transformação do espaço e do tempo. A interconexão global intensificada gera mudanças das relações tempo/espaço que têm conseqüências nos modos de operar a sociedade.


EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E CAPACITAÇÃO CONTINUADA:

Segundo Nóvoa, “os programas educacionais fornecem a ocasião de aprender saberes e técnicas, de partilhar experiências e preocupações, mas a formação não é o resultado previsível de uma ação educativa. A formação é infinitamente mais global e complexa: constrói-se ao longo de toda uma trajetória de vida e passa-se por fases e etapas que é ilusório pretender ‘queimar’.”


BASES TEÓRICAS DA CAPACITAÇÃO DAS PESSOAS:

 A educação das pessoas deve passar por:

a) antropologia.
b) filosofia.
c) política.
d) economia e administração.
e) A influencia das TIC.
f) Psicologia e Desenvolvimento Humano.



PARADIGMAS HISTÓRICO-SOCIAIS:

Moraes (1997) apresenta um paralelo de várias correntes de pensamento no contexto histórico-social a partir dos séculos XVII, XVIII e XIX:

a) Paradigma Tradicional: Revolução Cientifica, Iluminismo, Revolução Industrial.
b) Paradigma Industrial: Luta competitiva pela própria existência. Fez com que a educação supervalorizasse algumas disciplinas, trazendo a idéia de que os fenômenos complexos necessitam ser divididos em partes para serem compreendidos.
c) Movimento da Escola Nova: No século XX, a escola percebe a importância do aluno no processo, devendo o ensino dar-se pela ação e não pela instrução.

Com a ruptura do paradigma visa-se “construir um modelo educacional capaz de gerar novos ambientes de aprendizagens em que o ser humano fosse compreendido em sua multidimensionalidade, como um ser indiviso em sua totalidade, com seus diferentes estilo de aprendizagem e suas distintas formas de resolver problemas”. (Moraes, 1997,p. 17)


SOLUÇÃO DE PROBLEMAS:

É um dos recursos mais acessíveis para levar os alunos a aprender a aprender. Supõe dotar os alunos da capacidade de aprender a aprender, de questionar e ir buscar respostas, de construir autonomia. Cria o habito e a atitude de enfrentar a aprendizagem como um problema para o qual deve ser encontrada uma resposta, bem como ensina a propor problemas para si mesmo e a resolvê-los. Prepara mais adequadamente para desenvolver habilidades e estratégias eficientes para buscar respostas para os problemas do cotidiano do processo produtivo-rotineiros ou inusitados.



GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO:

Instalação dos Conselhos de Escola num processo de construção ascendente: Lei 3.776/92.

A Constituição da Republica em seu artigo 206 afirma: “O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: VI – a gestão democrática do ensino público, na forma da Lei”.

A LDB/96 em seu artigo 3° dispõe que: “o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: VIII – a gestão democrático do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino”. Já o artigo 14 afirma que os sistemas de ensino definirão as normas de GD, com: “participação dos profissionais da educação na elaboração da proposta pedagógica (inciso I), participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes”. Por fim, o Artigo 15 determina que “os sistemas de ensino assegurarão às escolas progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira”.

Dilema entre a democracia real e a democracia formal:

Segundo Chauí (1997, p. 141), “se a tradição do pensamento democrático, democracia significa: a) igualdade, b) soberania popular, c) preenchimento de exigências constitucionais, d) reconhecimento do direito da maioria, e) liberdade, torna-se obvia a fragilidade democrática no capitalismo”.

A gestão democrática dá importância a uma descoberta ser original. Assim, a gestão democrática seria um novo modo de administrar a realidade em si mesmo, democrática, que se traduz pela comunicação, pelo envolvimento coletivo e pelo diálogo.

A gestão democrática preocupa-se com a realidade escolar. Até os anos 80 o empresariado exigia do Estado apenas trabalhadores alfabetizados. Hoje exige-se com novos conteúdos e métodos de ensino: conhecimento, valores e habilidade que vão alem da memorização e dos conhecimentos tradicionalmente transmitidos pela escola ou do simples adestramento para a profissão.

Como construir a gestão democrática entre sujeitos e as instâncias de participação?


 

Gestão democrática de qualidade social:


Que educação queremos?  Uma mercadoria ou um direito? Uma educação que promova mudanças, transformações ou que procure a manutenção do existente? Uma educação que promova a emancipação ou a subordinação?



EDUCAÇÃO ESCOLAR E INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Definição dada por Howard Gardner.


EDUCAÇÃO ESCOLAR: È uma dimensão fundante da cidadania e tal principio é indispensável para participação de todos nos espaços sociais e políticos e para (re)inserção qualificada no mundo profissional do trabalho.

INTELIGÊNCIA ESPACIAL: Capacidade de perceber o mundo visual e espacial de forma precisa, de manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções, criar e compor uma representação visual ou espacial.

INTELIGÊNCIA LOGICO-MATEMÁTICA: Determina a habilidade para raciocínio dedutivo, em sistemas matemáticos, em noções de quantidade, alem da capacidade para solucionar problemas envolvendo números e demais elementos matemáticos.

INTELIGÊNCIA CINESTÉSICA OU CORPORAL-CINESTÉSICA: Refere a habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo.

INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL: Habilidade para entender e responder adequadamente a temperamentos, motivações e desejos de outras pessoas.

INTELIGÊNCIA LINGUISTICA: Habilidade para lidar criativamente com as palavras nos diferentes níveis de linguagem (semântica, sintaxe).

INTELIGÊNCIA MUSICAL: Habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma discriminação de sons, habilidade para perceber sensibilidade para ritmos, timbre, e habilidade para reproduzir musica.

INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL: Competência de uma pessoa para conhecer-se e estar bem consigo mesma, administrando seus sentimentos e emoções a favor de seus projetos^

INTELIGÊNCIA NATURALISTA: Habilidade humana de reconhecer objetos da natureza, de distinguir plantas, animais, rochas. Indispensável para a sobrevivência do ambiente natural.


Leonardo Boff, em 2003, afirmou que “há um novo paradigma de cidadania. A escola está tendo uma nova dimensão a partir da crise mundial e da globalização. É preciso que se cuide da formação da pessoa, tornando-a capaz de ser varias coisas, e não apenas que se formem profissionais”.



EDUCAÇÃO DE ADULTOS: RESPONSABILIDADE SOCIAL E APRENDIZAGEM TRANSFORMATIVA

É necessária uma aprendizagem tranformativa, onde a educação de adultos tenha como pressupostos:

a) o auto-direcionamento na aprendizagem;
b) a aprendizagem experiência;
c) a aprendizagem contextual.

A educação e formação de adultos entendida numa perspectiva de responsabilidade social parte do pressuposto de que, por meio da participação, os adultos desenvolvem ou adotam atitudes e valores e fazem julgamentos morais relacionados com os seus papeis enquanto cidadãos. Implica aprender sobre direitos e deveres dos cidadãos e também sobre como cada um pode, através do dialogo, da reflexão e da deliberação, participar na construção da sociedade.

Assim, pelo fato de existir uma potencial capacidade do individuo moldar a percepção da realidade ao seu referencial enquanto pessoal, esta perspectiva destaca a competência do indivíduo, na construção de significados, senso este um paradigma que acentua a capacidade de autonomia do sujeito.


OBSERVAÇÃO: Este texto é um resumo que eu produzi com o material de aula da disciplina Paradigmas da Educação - Núcleo Comum: Educação e Inclusão, da Pós-Graduação em LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS da Faculdade Educacional da Lapa / EADCON. 2010. Produzido em 27/11/2010.


COMO CITAR ESTE ARTIGO:
NOVAES, Edmarcius Carvalho. “REFLEXÕES ACERCA DOS PARADIGMAS DA EDUCAÇÃO". Disponível em: http://edmarciuscarvalho.blogspot.com/2010/11/reflexoes-acerca-dos-paradigmas-da.html em 27 de novembro de 2010.

domingo, 19 de setembro de 2010

TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TICs PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA



TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO – TICs
Conjunto de meios de tratamento, armazenamento e transmissão da informação, em função da união da informática, da telecomunicação e do audiovisual.

Superação de uma sociedade industrial para uma sociedade da informação, em rede, baseada na tecnologia (CASTELLS, 2002).

Há a transformação do mundo, sem fronteiras, sem delimitação de territórios. Precisa-se desconstruir e reconstruir conceitos.

A internet é o coração de um novo paradigma sociotécnico, que constitui na realidade a base material de nossas vidas e de nossas formas de relação, de trabalho e de comunicação. (CASTELLS, 2003).

Sec. XV Johann Gutenerg criou a impressora. Século XX criaram os computadores e em poucos anos a rede mundial que os conecta.

Tecnologia x corpo: O corpo determina a identidade e as formas de socialização. No ciberespaço essa identidade é ambígua, uma vez que não se podem ter certezas. Há novas formas de sociabilidade. Nele, o corpo se torna um detalhe. É um hipercorpo: hibrido e mundializado por conexões de corpos pelas redes digitais (PIERRE LÉVY, 1996).

No ciberespaço, os princípios de exclusão social são diminuídos e transgredidos.

Inclusão: “sociedade começa a perceber a existência de pessoas portadoras de deficiência e a se organizar, para acolhê-las, e de outro, as próprias pessoas com deficiência começam a se mostrar, a reivindicar seus espaços, a exercer seu papel de cidadãs”. (GIL, 2002).

Inclusão digital não é somente dar acesso ao computador, é ter a possibilidade de compreender o sistema com o qual opera. Exclusão digital não é somente não ter acesso a bens eletrônicos, mas continuar incapaz de pensar, criar e organizar novas formas de produção e distribuição de informação (conhecimentos simbólicos e materiais).

ACESSIBILIDADE:

Acesso de qualquer pessoa, incluindo as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida, ao meio físico da sociedade, ao transporte e à comunicação, garantindo sua segurança e autonomia.

A pessoa com deficiência é incluída na era digital a partir da tecnologia assistiva;

TECNOLOGIA ASSISTIVA

São recursos para a autonomia e inclusão sociodigital de pessoas com deficiências. É toda e qualquer ferramenta ou recurso utilizado com a finalidade de proporcionar uma maior independência e autonomia à pessoa com deficiência.

Também é chamada de ajuda técnica (qualquer produto, instrumento, estratégia, serviço e prática utilizados por pessoas com deficiência e pessoas idosas, especialmente produzidas ou geralmente disponíveis para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem e melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos).

MEIOS:

Utilizam-se as Tecnologias de Informação e Comunicação – TICs como tecnologia assistiva quando o próprio computador é a ajuda técnica para atingir um determinado objetivo. Por exemplo a utilização do computador como caderno eletrônico por quem não consegue escrever no caderno de papel.

Utilizam-se as Tecnologias de Informação e Comunicação por meio de tecnologia assistiva quando o objetivo final desejado é a utilização do próprio computador, para o que são necessárias determinadas ajudas técnicas que permitam ou facilitem esta tarefa. Por exemplo, as adaptações de teclado, de mouse, softwares, etc.

FINALIDADES:


a) Recurso para desenvolver as potencialidades cognitivas
b) Proporcionar auto-estima e autonomia para pessoas com necessidades especiais

ACESSIBIILIDADE - Três noções:

A) Usuários – nenhum obstáculo deve ser imposto ao individuo face às suas capacidades sensoriais e funcionais

b) Situação – o sistema é acessível e utilizável em diversas situações, independentemente do software, comunicações e equipamentos

c) Ambiente – significa que o acesso não é condicionado pelo ambiente físico envolvente, exterior ou interior.

Principais dificuldades de pessoas cegas no uso da internet:

a) Obter informações apresentadas visualmente
b) Interagir usando um dispositivo diferente do teclado
c) Distinguir rapidamente os links num documento
d) Navegar através de conceitos espaciais
e) Distinguir entre outros sons uma voz produzida por síntese

AREAS DE UTILIZAÇOES DAS TICs – SANTAROSA (1997)
01) Como Sistemas Auxiliares ou Prótese para a Comunicação
O uso dessas tecnologias pode ser a única forma em que pessoas com deficiência possam vir a se comunicar e serem inseridas na sociedade.
Exemplo – tetraplégico escrevendo e digitando com uso de próteses para utilizar o teclado.

02) Como Controle do Ambiente

Possibilita pessoa com deficiência física comandar de forma remota, aparelhos domésticos, fechar e abrir portas, apagar a luz, ou seja, consiga ser mais independente nas atividades cotidianas.

03) Como Meio de Inserção no Mundo do Trabalho Profissional
Pessoas com grave comprometimento motor podem tornar-se cidadãs ativas e produtivas, em vários casos garantindo seu sustento, por meio do uso de TICs.

04) Como Ferramentas ou Ambientes de Aprendizagem
Obs. – Não precisam ser utilizadas isoladamente, muitas vezes essas áreas se relacionam entre si.

Exemplos – tela sensível ao toque ou ao sopro, detector de ruídos, mouse alavancado à parte do corpo que possui movimento voluntario para pessoas com paralisia cerebral, qualquer que seja seu grau de comprometimento motor.

"O que define o destino da pessoa, em ultima instância, não é a deficiência em si, mas suas conseqüências sociais" – Vygotsky.
Para ele, existem dois tipos de deficiência

01) PRIMÁRIA – lesões orgânicas, lesões cerebrais, malformações orgânicas, alterações cromossômicas.

02) SECUNDÁRIA – refere-se ao desenvolvimento destes indivíduos a partir de suas relações sociais ou interações com os objetos físico-sociais.

Assim, uma deficiência primária pode converter-se, ou não, numa secundária.

CLASSIFICAÇÃO DAS ADAPTAÇÕES – PROGRAMA INFOESP – INFORMATICA, EDUCAÇÃO E NECESSIDADES ESPECIAIS – OBRAS SOCIAIS IRMA DULCE – SALVADOR

01) Adaptações físicas ou órteses
Aparelhos ou adaptações fixadas e utilizadas no corpo do usuário e que falicitem a interação com o computador.

Exemplos
a) Capacete com ponteira
b) Pulseira de pesos

02) Adaptações de hardware
Aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador, nos periféricos, ou mesmo, quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, são especiais e adaptados.

Exemplos
a) Mascara de teclado
b) Teclado adaptado
c) Switch mouse

03) Tecnologia a serviço de portadores de deficiência

Exemplos:
a) Telefone para surdos
b) Olho virtual para cegos
c) Roupas específicas para deficientes físicos
d) Software especiais de acessibilidades – Kit Saci II. Eugénio, o gênio das palavras. Comunique. MicroFênix v 2.0. DOSVOX (para cegos). Virtual Vision. Jaws. AMPLISOFT.

PESSOAS SURDAS E SIGNWRITING:

As línguas de sinais atendem às necessidades de comunicação entre os surdos. Contudo quando se trata da necessidade de comunicação através da escrita os surdos têm de recorrer à escrita na língua da sociedade falante em que vivem, porque somente as línguas sonoras têm formas estabelecidas de escrita. (COSTA, 1996).

O SignWriting é um sistema de representação gráfica das línguas de sinais que permite, através de símbolos visuais representar as configurações das mãos, seus movimentos, as expressões faciais e os deslocamentos corporais. Esse sistema tem um caráter gráfico-esquemático intuitivo que funciona como um sistema de escrita alfabética, em que as unidades básicas representam unidades gestuais fundamentais, suas propriedades e relações.

Os símbolos do alfabeto SignWriting são internacionais, e podem ser usados para escrever diferentes linguagens sinalizadas tais como a Língua Americana de Sinais, Língua Francesa de Sinais, ou LIBRAS.

Possui três estruturas básicas:
a) Posição da mão
b) Movimentos
c) Contato

Possui ainda símbolos para expressões faciais, pontos de articulação, entre outros. Diversas iniciativas estão sendo desenvolvidas para difundir as línguas de sinais, inclusive através do desenvolvimento de software, como forma de apoiar a inclusão digital e social dessas pessoas surdas, porém, uma das dificuldades encontradas para o cumprimento desse objetivo ocorre no momento de se registrar as línguas de sinais na forma escrita e, por isso, existem poucos ambientes que as utilizam como idioma principal em suas funcionalidades e interfaces.

Software que utilizam da SignWriting

a) SIGNSIM – tradutor da LS para língua oral escrita e vice-versa que efetua as particularidades da estrutura das LS.
b) Visualizador em 3D – seqüência de estados para o sinal começar. Chat que possibilita a comunicação em língua oral e em língua de sinais, via escrita em SignWriting.
c) Rybená Player – Acessibilidade web que traduz textos em português para LIBRAS.
d) Dicionário LIBRAS Ilustrado
e) Swedit
f) Sign WebMessage
g) Redes Sociais – a socialização entre deficientes, e destes com não deficientes, suscita questões acerca da possibilidade de manipulação de identidades, da formação de comunidades, suspensão do estigma e da coexistência do deficiente no ciberespaço e no espaço físico.
OBSERVAÇÃO:
Este texto é um resumo que eu produzi com o material de aula da disciplina Tecnologias Educacionais Inclusivas - Nucleo Comum: Educação e Inclusão, da Pós-Graduação em LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS da Faculdade Educacional da Lapa / EADCON. 2010. Produzido em 18/09/2010.

COMO CITAR ESTE ARTIGO:

NOVAES, Edmarcius Carvalho. "Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs para Pessoas com Deficiência". Disponível em http://www.edmarciuscarvalho.blogspot.com/ em 18 de setembro de 2010.